Foto: Nathália Schneider (Arquivo, Diário)
Marcelo de Jesus dos Santos deixa de usar tornozeleira eletrônica e passa a cumprir a pena em liberdade condicional, mas cumprindo uma série de condições impostas pela Justiça.
A concessão de liberdade condicional ao ex-vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, gerou reação da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM). Para o presidente da entidade, Flávio Silva, a decisão representa a continuidade de uma injustiça no caso da boate Kiss.
- Infelizmente, já era esperado. No momento em que os outros réus também tiveram a liberdade decretada pela Justiça, era questão de tempo para que isso acontecesse com o Marcelo e também com o Mauro. Isso mostra que a injustiça continua se perpetuando - afirmou.
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O presidente da AVTSM concedeu entrevista na manhã desta segunda-feira (16) ao Programa Bom Dia Cidade!, da rádio CDN 93.5 FM. Silva se manifestou após decisão da juíza Bárbara Mendes de Sant’Anna, da Vara de Execução Criminal (VEC) Regional, que concedeu liberdade condicional a Marcelo de Jesus dos Santos.
O parecer foi divulgado na última sexta-feira (13), e a partir de agora, ele deixa de usar tornozeleira eletrônica, equipamento que utilizava desde 27 de dezembro de 2025, quando saiu do Presídio de São Vicente do Sul. Marcelo foi condenado a 11 anos de prisão por seu envolvimento na tragédia da boate Kiss.
O ex-integrante da banda Gurizada Fandangueira é o segundo entre os quatro réus do caso a obter o benefício. O primeiro foi o ex-assistente da banda, Luciano Bonilha Leão, que recebeu a liberdade condicional no dia 3 de março.
Para manter a liberdade condicional, Marcelo deverá cumprir uma série de condições impostas pela Justiça, como apresentação periódica à Justiça, manutenção de atividade lícita, comunicação prévia em caso de mudança de endereço ou viagem e proibição de envolvimento em novos crimes. O descumprimento das regras pode levar à revogação do benefício e ao retorno ao regime fechado.
Recursos e vigília
Flávio Silva diz que a associação já ingressou com recursos para tentar reverter as decisões judiciais. Os pedidos foram encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e também devem chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF).
- Esses recursos já subiram para o STJ. Temos convicção de que essa decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul será revertida. É inaceitável o que está acontecendo em um crime bárbaro como esse - disse.
O presidente da AVTSM afirma que a entidade pretende pressionar os tribunais superiores para que os recursos tenham prioridade na tramitação. Entre as medidas cogitadas, está a realização de uma vigília em Brasília.
- A ideia é tentar uma agenda com o ministro relator e, se for preciso, fazer uma grande vigília em frente ao STJ até que esse recurso seja pautado e julgado. Não é aceitável esperar mais um ano para uma decisão, - declarou.
Mesmo após mais de uma década da tragédia que matou 242 pessoas e deixou centenas de feridos, Silva afirma que os familiares seguem mobilizados.
- Depois de tantos anos de luta, muitos pais adoeceram e estão desgastados. Mas o amor pelos nossos filhos nos dá força para continuar lutando e para mostrar que essa tragédia não pode cair no esquecimento - concluiu.
Situação dos réus:
Com as decisões recentes, concedendo liberdade condicional a dois réus, o cenário das penas do Caso Kiss está dividido em dois grupos:
- Liberdade condicional (sem tornozeleira): Luciano Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos
- Regime Aberto (com tornozeleira): Elissandro Spohr (Kiko) e Mauro Hoffmann